32º Domingo do Tempo Comum

09/11/2013 17:34

 - Enfrentar a Morte -

“Um grande Amor nos espera no céu, sem traições, sem enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência... e sem enjoar: saciar-nos-á sem saciar”. (São Josemaria Escrivá)

A Igreja, esposa de Cristo, quer que os homens se lembrem da morte, que vivam preparados para ela, crendo firmemente, e assim esperando a proclamação da ressureição dos mortos no fim dos tempos, na vida eterna. E por isso a Sagrada Liturgia de hoje nos faz mergulhar profundamente na verdade que professamos: “CREIO NA RESSUREIÇÃO DA CARNE”.

Escuta-se na primeira leitura, belíssimas afirmações sobre a ressureição dos mortos, saídas dos lábios dos sete irmãos Macabeus, quando enfrentavam o martírio. Atormentados pelos suplícios declaram-se certos de reaver um dia seus corpos ressuscitados para a vida eterna, pois, tão firme era a fé que os animava, e óbvio que crer na ressureição da carne dava a esses sete jovens irmãos a força de morrer por esta fé. Como eles, somos motivados a proclamar: “O Rei do Universo nos ressuscitará para uma vida eterna”, e com toda a força de testemunhar este elemento essencial do depósito da Fé! Como diz Tertuliano: “A confiança dos cristãos é a ressureição dos mortos, crendo nela, somos cristãos”.

E que anseio sobe de nosso coração ao Coração da Trindade no Sl 16: “Ao despertar, me saciará Vossa presença e verei a Vossa Face”. Ao considerar esta verdade, um sentimento de alegria desperta na alma cristã. Teus discípulos, Senhor, os que te amam e vivem - ou, pelo menos, querem viver com sinceridade - para Ti, sabem perfeitamente que a morte é o começo da Vida, do viver na Vossa presença e ver a Vossa Face, este encontro Contigo, como prêmio de seus esforços e a coroa de suas lutas.

O cristão atinge a salvação prometida, a certeza deste encontro, cumprindo toda a boa obra, não, porem, com suas próprias forças, mas com a graça de Deus obtida pela oração, e essa também é uma verdade contida na segunda leitura. Como os anjos serão os “filhos de Deus”, isto é, a graça de adoção, recebida em germe no batismo, e que chegará ao pleno desenvolvimento: envolverá o homem todo, inclusive o corpo, que será transfigurado. Seremos aquilo que somos na presença de Deus, sem nenhum recanto de trevas em nós! E se queremos que as mentiras, egoísmos, amor-próprio, duplicidade e injustiças, que são, por sua vez, enganos, deixem de dominar nossa vida interior e a vida de relação com os outros, meditemos inúmeras vezes sobre a morte!

Mas, o que é ressuscitar? Quem ressuscitará? De que maneira? Quando? Essas são perguntas que nos fazemos e são também como pontos de nossa meditação. O enfrentar a morte, talvez mais brevemente do que pensávamos, deve ressoar na consciência. Como faremos? Hoje estamos vivos, de repente, não mais. Do que adianta viver muito e pouco por se corrigir? E nesses pontos vemos as controvérsias de Jesus contra os chefes dos povos, pouco antes de Sua Paixão.

Jesus recorda a manifestação de Deus a Moisés na sarça ardente, em que se deu a conhecer como “Javé”, ou seja, como “Aquele que é”, como o “Deus da Vida”, dos vivos, porque para Ele todos estão vivos! E disse Jesus de si, afirmando ser a ressureição e a vida! Jesus, causa de vida eterna para quem Nele crê, é também causa de sua ressureição. Não sabemos “o dia nem a hora”, por isso devemos viver preparados, dispostos a dizer ao Senhor que aceitamos a morte, quando Ele quiser e onde quiser, na certeza de que o Senhor nos levará quando estivermos amadurecidos, quando nossa alma tiver atingido aquele grau de santidade a que estava chamada.

E concluímos Senhor, agradecendo-te por nos dar a certeza de que Tua graça nos leva a provar da vida eterna. Te louvamos Espírito Santo, pelo fato de nossa plena alegria estar baseada nas primícias da Ressureição da Carne, na Vida Eterna, assim como os irmãos Macabeu. Dá-me tal plenitude para que possamos fazer de nossa vida aqui e agora, pedaços do céu na terra. E que a Mãe do Belo Amor nos auxilie e nos guarde em seu Coração Imaculado.

 A todos uma ótima semana. A paz.

Por Carlos Guilherme

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