Igreja Una Santa Católica e Apostólica


30º Domingo do Tempo Comum

27/10/2013 13:17

 - Meu diálogo com Deus -

“Ó Senhor, longe de mim o crer-me justo... A mim compete gritar, a mim convém gemer, confessar, não me enaltecer, não me gabar, não me vangloriar de meus méritos, porque se alguma coisa tenho em que me alegrar, que tenho que não haja recebido?” (Santo Agostinho).

“A oração do humilde sobe até as nuvens” (Eclo 35,17) e obtém graça. Eis o ponto central da Sagrada Liturgia e nossa consideração na Lectio Dominical de hoje. “... A sentença eterna do Rei, tudo sobe o pecado encerrou, para que na fraqueza brilhasse maior graça...” (Hino II Semana do Saltério – II Domingo – I Véspera). Assim canta toda a Igreja do Senhor neste dia, com o coração e a alma repleta de uma certeza: “Ó Senhor, estais perto de quem tem o coração arrependido, salvais o que tem o espírito humilhado” (Sl 34,19). 

Participamos todos de uma mesma realidade, da mesma impotência, no mesmo estado de ruptura com Deus, e não podendo salvar-nos por nós mesmos, isto é, não podendo entrar sozinhos na amizade de Deus. Daí, como primeiro ato de verdade que nós homens devemos fazer, é reconhecer-nos tão pecadores, impotentes para salvar-nos por nossos próprios direitos, restando-nos o abrir-se à ação misericordiosa do Senhor Deus em nossa história. História onde permitimos não poucas vezes, que nossa convicção soberba, cheia de vanglória, fizéssemos barganhas com o Senhor. Pois temos a obrigação de praticar boas obras, oferecer a Deus sacrifícios, mas pensamos como quem quer comprar a Deus por estes meios, por estes feitos, recheados de um “puro e delicado” amor-próprio. Deus não pensa como os homens: “Pois os meus pensamentos não os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus” (Is 55,8). Ele não se corrompe com “presentes e doações”, e olha unicamente o coração de quem a Ele recorre. Sua preferência são os “pobres de Javé”, que a Ele se dirigem com espírito humilde, contrito, confiante, certos de não terem direto algum aos favores divinos. E a primeira leitura é justamente esse elogio da justiça de Deus, elogio da oração humilde, certo de sua indigência, de sua necessidade de auxilio, de salvação.

Vemos na segunda leitura, como São Paulo medita e considera numa espécie de balanço, que ele próprio combateu o bom combate, terminou sua corrida, manteve a fé. Reconhece o bem que realizou, mas com o espírito completamente doado e humilhado, consumido de amor pelo Senhor e pela Igreja, longe de se gloriar pelo bem que fez, ao contrário daquele sentimento soberbo do qual falamos.

No Santo Evangelho, vemos na parábola do fariseu e do publicano, dois modos de dialogarmos com o Senhor, de conceber o homem e sua relação com Deus. O fariseu é uma ação de graças a Deus, mas só aparentemente. Certo é que ele, por um pretexto para louvar-se a si mesmo e não a Deus, compraz-se a si por não ter pecado algum, pelo mérito de suas boas obras. Diante disso, se considera justificado e exige de Deus a recompensa. Isto não é oração, e nunca o será na verdade. E o publicano? O que verdadeiramente move seu coração em prece? Ele vive a realidade, a verdade, consciente de sua culpa e de não ter méritos diante de Deus. Clama por misericórdia. Essa sim é a verdadeira oração. Assim percebemos nossa inconstância, em sermos hora um, hora outro, vivendo uma oposição entre dois tipos: a do homem que pensa poder alcançar a Deus pelo cumprimento “perfeito” da lei e sua falta de amor, e a que Deus concede ao homem pecador, que não foi observante à lei, que se reconhece como tal e se converte, pois quem se humilha será exaltado. Ao primeiro falta amor, ao segundo só lhe resta amar. A humildade é fruto desse amor verdadeiro, que brota da oração sincera. A humildade se recomenda. Trata-se da atitude de quem pretende ser correto no trato, no colóquio com o Senhor e com o irmão. Ela corresponde a esse modo de proceder tão querido pelo Senhor a cada um de nós. 

E concluímos pedindo ao Paráclito que não se afaste de nós, que fique muito perto nós, assim como a Virgem Maria, que por sua doce mediação, possa o Senhor criar em nós um coração humilde, que nos leve a agir como discípulos Dele, corretos no trato, no diálogo com Ele e com o irmão, com alma dos que buscam sua força, procurando sem cessar a sua face.

A todos uma santa semana.

Por Carlos Guilherme

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