29º Domingo do Tempo Comum

19/10/2013 21:22

 - Fé e Oração -

“Não permitais que esqueçamos: Tu falas também quando calas. Dá-nos esta confiança: quando estamos na espera da tua vinda, Tu calas por amor e por amor falas. Assim é no silêncio, assim é na palavra: Tu és sempre o mesmo Pai, o mesmo coração paterno e nos guias com a tua voz e nos elevas com o Teu silêncio...”. (Soren Kierkegaard). 

Na lectio deste Domingo do Senhor, mais uma vez a Sagrada Liturgia nos faz centrar na temática da fé. Como o salmista, sobe ao Coração da Trindade o nosso clamor, e cheio de uma certeza de fé: “Meu auxílio virá do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 121,2); “... pois sei em quem acreditei...” (2Tm 1,12). 

Do livro do Êxodo, lemos o notável episódio da oração de Moisés no monte, enquanto partem para o vale os filhos de Israel em batalha contra os amalecitas. As mãos erguidas eram o sinal da oração elevada ao Senhor para invocar seu socorro, sua intervenção, seu milagre, e ao mesmo tempo, estímulo ao povo escolhido a combaterem com coragem. Tão linda e admirável expressão de fé! A vitória era alcançada muito mais pelo auxílio de Deus do que pelo valor dos combatentes. Devemos considerar nossas orações altamente vitoriosas se elas fizerem com que a carne, o mundo, e o demônio - os cruéis inimigos da Igreja e da alma – percam, e Deus seja glorificado.  Do demônio nos defenderemos como o escudo da Fé; das seduções ou agressões do mundo nos defendemos com a santa Esperança voltada para Deus e para o céu; e das fraquezas e malícias do amor-próprio nos defenderemos com fortes atos de Caridade firmados em insistentes atos de humildade, tudo pela oração. 

Na 2ª carta de São Paulo a Timóteo, tão apaixonante exortação a permanecerem os cristãos firmes na fé, mesmo diante das teorias contrárias e a dispersão de muitos. Ao pedir que sejamos firmes na Palavra de Deus, sabe Paulo que somos fortalecidos por ela, e diante de nossas próprias fraquezas, que a Palavra, mediante a vida de oração, como seiva que escorre da cepa para os sarmentos, a força divina desce a nossa alma para nos fortificar a inteligência. Dando-nos fé mais viva.

No Santo Evangelho, a parábola do juiz e da viúva, proposta por Nosso Senhor Jesus, é para imprimir em nós “o dever de rezar sempre, sem jamais desfalecer”. Vemos um juiz que não temia a Deus, nem cuidava de defender a causa dos fracos e oprimidos, como preconizava a lei divina. Recusava ele atender a uma pobre viúva que a ele recorria para obter justiça. Ele, por fim, acaba cedendo aos pedidos dela, unicamente por que não queria mais ser importunado e para que a viúva não o agrida. Daqui Nosso Senhor toma ocasião para revelar a dinâmica do Coração do Pai, de explicar que Deus, muito mais do que àquele juiz iníquo, atenderá a súplica de quem recorre a Ele com perseverança e confiança.

 Por fim, para hoje vamos considerar em nossa oração a profundidade e a força desta vida de oração, pois estão diretamente relacionadas com a profundidade e a força do nosso relacionamento pessoal com o Senhor. Tenho me aproximado Dele com base na nossa amizade, e isso me permite ousar na fé e na oração? 

Tenhamos a certeza de que à medida que esse relacionamento se torna mais íntimo, nossa ousadia na fé, na oração e no apostolado aumentará. Assim, peçamos ao Espírito Santo, pela poderosa intercessão do Imaculado Coração de Nossa Mãe, que avive em nós os dons da fé e da oração.

 Santa semana a todos.

Veja mais oque é a Lectio Divina.

Por Carlos Guilherme

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