26º Domingo do Tempo Comum

29/09/2013 16:32

 - AOS OLHOS DE DEUS, OS QUE OCUPAM O PRIMEIRO LUGAR SÃO OS POBRES -

“Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. (1 Pd 5,5).

  Irmãos, na lectio deste domingo do Senhor, nos mostra Sua Palavra, a realidade existente entre o orgulho e a humildade. Mostra que durante a sua vida, um rico de quem ignoramos o nome conheceu uma certa felicidade, enquanto que o pobre Lázaro conheceu a infelicidade. A felicidade nesta terra é limitada, pois está ligada às riquezas. Da mesma forma, a infelicidade é provisória porque a verdadeira riqueza nos será dada. Então, é preciso que a morte intervenha para que cada um encontre o seu verdadeiro lugar e a justiça seja feita: o pobre (humilde) é elevado, ele que tinha sido rebaixado, ele a quem os cães vinham lamber as chagas. Quanto ao rico (orgulhoso), é enterrado, ele que trazia vestes de luxo e fazia suas festas, tão preocupado que era com os prazeres desta vida. 

São os pobres que são exaltados porque esperam a consolação de Deus, porque se humilham debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele o exalte no tempo devido (1 Pd 5,6). Sabem o que significa pedir ao Senhor o que precisam e depois esperar que Ele responda conforme achar adequado, sabendo que o tempo D’Ele é perfeitíssimo. Em tudo sabem lançar sobre o Senhor os seus cuidados e permanecer em paz. 

São os ricos que são enterrados, porque procuram a sua própria consolação, e que somente lançaram os cuidados sobre si mesmos, contando com suas “forças”, evidenciando que em nada permitem que o Senhor lhes mostre como cooperar com Seus propósitos. 

O pobre chama-se Lázaro. Este nome, em hebraico, significa “Deus socorreu”. E é bem isto que Jesus fez pelo seu amigo e continua fazendo por aqueles que Nele depositaram sua vida. O rico, esse, é descrito com tudo aquilo que o cercava: vestidos luxuosos, festas, e tudo o que lhe proporcionava sua mísera riqueza. Mas notemos, não tem nome. Ele é “o rico”. Aos olhos de Deus, os que ocupam o primeiro lugar são os pobres; e os ricos, são os últimos, por isso aqui não os reconhece e não pode dar nome aquele que está “longe de seu olhar”. 

Vamos mais longe. Uma frase aqui é central no relato: “Lázaro bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber as suas chagas”. Uma frase muito parecida e próxima da parábola do filho pródigo, quando o filho mais novo lamenta não poder comer as bolotas dos porcos. O filho mais novo simboliza, sem dúvida, o homem pecador fechado na sua solidão. O pobre Lázaro, esse, é vítima do pecado do rico, mas o resultado é o mesmo: não são vistos por ninguém. Ninguém lhes dá atenção. Só os cães vêm lamber as chagas do pobre. Temos aí uma descrição muito realista do que são muitas vezes as nossas relações. “O rico” é um nome anónimo. As nossas relações não são muitas vezes anónimas? Mesmo com os nossos mais próximos, não acontece, por vezes, que não os vemos verdadeiramente, a ponto de esquecer simplesmente de lhes dizer bom dia, de estar atentos a eles, as suas necessidades, e nos fechamos no orgulho e na preocupação com o nosso? A indiferença é verdadeiramente um pecado que pode matar. Nomeando o pobre Lázaro, Jesus recorda-nos, ao contrário, que, para Ele e para o seu Pai, cada ser humano é olhado como único. Jesus veio compensar o olhar vazio e anónimo do rico. Veio socorrer todos os pobres, aqueles que se fazem humildes em tudo, que contam estar sempre estar debaixo da poderosa mão de Deus – é o sentido do nome de Lázaro! 

Espírito Santo, oro pedindo que me ensine a aproveitar o tempo que me é concedido para viver o amor, a humildade, solidário com os pobres, de forma a me preparar para o encontro com o Senhor, crendo que pela intercessão da Virgem Maria, e dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, Ele realizará em nós o seu plano de amor. 

Santo domingo a todos.

Por Carlos Guilherme

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